Hoje,

14 de março,

 Dia Nacional da Poesia,

dedico este espaço a um poeta da vida, meu pai.

Viveu a vida de jornalista escrevendo em prosa mas, nos ensinou a todos que com ele tiveram o privilégio de conviver, a viver a vida de forma poética.
Amando e respeitando o espaço do semelhante e da natureza. Percebendo a beleza em cada ser, por mais que esta beleza estivesse escondida.
Com paciência e maestria, ia nos mostrando a beleza do sol nascente, do poente, as nuvens que o ensombreciam para nos trazer a água e a vida, também. Nos ensinando a perceber por detrás de um rosto não tão bonito, um coração dourado. Nos mostrando com doçura que não bastava olhar, que era preciso ver, enxergar. E só assim a vida tem sentido - dizia.
Insistia que as falhas não estavam nas pessoas mas, na nossa expectativa, geralmente, falsa.
Nos ensinou a olhar com carinho e reconhecer as "Três Marias", o "Cruzeiro do Sul" e outros grupamentos de mundos distantes, um carreiro de formiguinhas, uma concha, um pindá, uma nuvem e todas as impressões que ela dá. Nos ensinou a ouvir o vento e também o silêncio. Isso mesmo! Ouvir. "Escutar não basta. O que apenas escuta, não sente, não percebe..."
Nos mostrou, na prática, como sentir os odores de todas as naturezas, a respeitar a vida, até mesmo de uma serpente, ainda que humana.
É o mesmo ensinamento que procura passar a Francisca, poetisa lá de Ilhabela. Tentando, através de seus escritos, transmitir consciência de respeito à natureza como forma de sobrevivência do planeta. Procurando mostrar aos mais jovens, a necessidade de preservação da história e dos costumes locais, como forma de manutenção da memória cultural.

 

 

 

Eu Criança

 

 

Quando eu, criança

 solto-me e corro,

vem a lembrança

alegre, em meu socorro.

 

 

Quando retorno criança,

dissipa-se a mentira,

a luz vem sem tardança

com as cores da saíra.

 

 

Ressuscitando as imagens

em minha tela mental

reencontro estas mensagens

de beleza sem igual

 

 

Caminhando à beira mar

prossigo, feliz eu vou,

fazendo-me acompanhar

de tudo que me ensinou.

 

 

Em cada momento feliz

juntinho comigo vai;

a memória traz da raiz,

a tua imagem: meu pai

                                   Carlos Gama 2001