Ainda a Mãe do Juiz

 

O Magrão que me desculpe a sinceridade, mas há momentos em que eu o vejo como um perfeito idiota. É assim quando ele não percebe a maldade escondida, sutilmente ou não, por detrás de atos ou de palavras maldosas.
Foi assim, hoje, quando um seu “amigo” - sem porquês, razões ou direitos - levanta uma suspeita sobre o seu caráter, e o idiota nem percebe, ou não quer crer que seja possível aquilo. Mensagem vem, mensagem vai, até que ele, afinal, desperta para a realidade. Precisamente nessa hora é que ele fica perigoso e (como diria o saudoso Plínio Marcos) pode botar o Jabaquara em campo. 
Fiquei aliviado (sem travessão, entre a segunda e a terceira sílabas) quando percebi que ele levantou-se, esqueceu o computador e resolveu tirar água do joelho. E, lá, olhando para os azulejos ele se distrai, permitindo que a resposta lhe assome ao grande espaço vazio.
O jogo do Santos (de novo?) contra o Independiente de Medelin (é o jogo de retorno, na casa deles... ou seria no pasto?) está prestes a começar e o nosso herói (apesar de não ser torcedor do Peixe, quando o jogo é contra alguma equipe estrangeira, vira fera) decide protelar a resposta ao “amigo”, com uma “tirada” que lhe veio ainda no banheiro. Corre ao computador, escreve e envia:
“O meu grau de evolução espiritual está aquém daquele em que está a maioria das pessoas que conheço. Daí, eu vou assistir ao jogo do Santos, xingar a mãe do juiz e, depois eu lhe respondo”.
Esse é o verdadeiro Magrão: meio idiota, com a sua ausência de maldade mas, quando percebe a treta, chuta no meio do saco.
E lá vai o jogo!
De cara, um “cheira pó” dá uma porrada no Elano e o tira de campo. Cartão? Nem de visitas, indicando a casa onde milita a progênie!
Equipe de arbitragem para apitar jogo do Brasil é escolhida a dedo; se fosse em Santos seria na Travessa Dona Adelina, se fosse no Rio, seria no Mangue (será que ainda existe?).
-No Peru tem porto mas tem muita zona, também! Será que quem mora lá é a mãe ou a mulher do juiz? – grosserias do Magrão.
Mais uns minutos de jogo e lá vem falta dura, de novo.
-Xptohrreiatetadavacapqpvtnc...- e por aí vai o Magrão quando chega uma de suas filhas e ele vai avisando: Sem cara feia! Hoje não tem pra ninguém! Quem não quiser ouvir palavrão, que se esconda e tape os ouvidos!
Dá-lhe jogo, gol do adversário e mais palavrão. Muito mais impropérios ouviu toda a vizinhança quando o Santos conseguiu um gol... de ombro! O Magrão, louco da vida com esse jogador, e com bronca do tal “amigo”, disse que não foi gol, que foi uma...Deixa pra lá!
Aí chega a nora, o filho e um dos netos. Ele está "ferrado" (entenda-se no sentido que aprouver!), fica preocupado, e vai avisando que pode acontecer de ouvirem algum palavrão.
A nora acha graça porque, para ela, isso é novidade.
Nesse momento a coitada pergunta se havia chovido, porque os jogadores estavam todos sujos, e o nosso palhaço aproveita a deixa:
-Eles mantém o gramado sempre bastante molhado, propositalmente.
-É verdade?
-Sim, eles fazem isso para que a grama, quando não tem jogo, fique bastante viçosa, para que a família do juiz fique hospedada na fartura.
Depois eu volto, porque vai começar o segundo tempo.

 

Carlos Gama. "www.suacara.com

18 de junho de 2003 – 23:00 hs

 

 

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