De Cara Com o Inimigo

 

 

Você conhece o major, não?

Aquele, do tempo das caçadas de terroristas no Vale do Ribeira e cuja mulher andava acolhendo o Magrão em sua cama.

Na última aventura aqui narrada, sobre os dois, o major deu uma sonora bofetada no Magrão. Ele ficou, depois disso, se divertindo à custa do marido traído mas, também, desenvolveu um certo temor daquele homem, depois do desastroso episódio.

Passou, dali por diante, a tomar mais cuidado em suas investidas amorosas; cercava-se, sempre, da maior certeza sobre a ausência do rival ou de uma possível volta antecipada, pois não queria arriscar o pescoço.

As idas e vindas, naquele apartamento do andar de cima, eram cada vez mais freqüentes. O casal de amantes se entendia às mil maravilhas.

Conforme o antigo acerto, ela deixara a porta destrancada. Ele chegou da aula, foi direto  tomar seu banho e saiu, levando a roupa nos braços, em direção ao quarto. Tinha apenas colocado os pés na sala, quando divisou um vulto, no corredor. Podia até ser a mina mas, por precaução ele se agachou, sorrateiramente,  junto ao móvel onde ficava a televisão.

Realmente não era ela, era seu pai, que viera visitar a filha. Ele costumava deitar-se cedo, como fazia em casa, lá no interior, especialmente depois de uma cansativa viagem. Mas, talvez pelo próprio excesso de cansaço, o sono foi-se embora, deixando-o agitado. Não encontrou outra saída, que não fosse ligar o televisor.

Chegou bem juntinho do aparelho e o nosso herói tinha a impressão de que ele iria ouvir a sua respiração assustada e meio ofegante. O coração batia descompassado quando o velho sentou-se para assistir ao teleteatro da Tv Tupi, deixando-o menos assustado. A espera foi mais cansativa do que longa, naquele estado de Adão. Por fim, o viajante começa a bocejar, se levanta, desliga a televisão e  parte, em direção ao seu catre.

O pai dela podia ser seu cúmplice, ele também não gostava do arrogante major, mas o Magrão não sabia disso e ficou tremendo, escondido atrás da televisão, na sala.

Quando chegou no quarto e contou a história, ela riu como uma maluca, mas ele não tinha mais, nem sombra de tesão.

Trepada?

Só na próxima sessão!

 

Carlos Gama. "www.suacara.com"

23 de agosto de 2002 – 20,18 h

 

 

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