Histórias de Alcova

 

 

Ele anda mais que encantado, com a nova mina.

-Tem classe, é bonita, simpática e ainda toca violão. Quer mais que isso? – diz ele, entusiasmado.

A cada novo encontro ele tem uma palavra de exaltação à sua musa. Hoje, porém, a história foi outra: um sarro!

-Ontem a gata me deixou desconsertado!

-O que houve? Brigaram?

-Quase! Depois daquele jantar gostoso (eu me travisto de mestre cuca e arraso, com todo o empenho), um vinho suave, um pouco de música como sobremesa e...cama!

-Bem, e aí?

-No meio da festa a mina me olha nos olhos e diz: Vem, bate! Eu olho pra ela, penso, repenso. Afinal ela não me parece que seja do tipo que goste disso e, também não faz o meu gênero mas, como o prazer maior de todo o amante é agradar ao parceiro...

-Bateu?

-Dei-lhe uma bolacha! Daquelas de fazer arder a palma da mão.

-Ela ficou feliz?

-Me olhou com um olhar espantado, em choque. Ficamos olhando, olho no olho e não chegamos a conclusão outra, que não fosse calar e continuar a festa. Dormimos bem abraçadinhos, exaustos.

-Acabou a história?

-Não! Acordei cedinho para vir jogar mas, com tempo de preparar o café e compartilhar calmamente a mesa com ela. Quando cheguei da padaria eu a acordei - com um beijo, claro! -  para que tivesse tempo de se preparar para o desjejum, enquanto eu esquentava o leite. Sentamo-nos e, no meio da refeição ela decide falar sobre o seu pesadelo.

-Sabe, meu gato, agora que já não estamos mais de estômago vazio, eu posso falar sobre o pesadelo.

-Teve algum?

-Você sabe que eu gosto, quando estamos nos amando, de sentir as suas bolas batendo em mim. Foi isso que eu quis dizer, ontem com aquele: Bate!

-Bem, meu amor...Agora é tarde!

 
Carlos Gama. "www.suacara.com

 

 

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