Malandro Esperto

 

 

Era esse o típico malandro, o malandro esperto, aquele que deu origem ao termo ”malandro”.

Aquele cara dotado de astúcia e que tirava vantagem das situações mas, com classe e ética. Ética, isso mesmo! Naquele tempo, até malandro tinha ética, obedecia a determinados padrões de comportamento, civilizados e humanos; era um “bon vivant”, apenas.

Sabia viver numa boa, sem muito esforço, porém, sem muito abuso.

Hoje, a maioria dos elementos que pretende ter ares de malandragem acaba na política ou, sendo, na verdade, escrava de traficantes e de vícios que, em geral, levam à morte prematura.

O Magrão faz esse tipo de malandro, à antiga.

Gosta de ostentar, a cada oportunidade, uma nova companhia feminina.

Aprecia uma batucada onde, em geral, tem parte ativa e, mesmo nesse ambiente, vai de guaraná. Porém, se a vontade bater e a insistência for muita, ele topa uma loira, mas a enfrenta, com muita parcimônia.

Não dispensa o fumo mas, só acende para baforar e fazer tipo, creio eu. Jamais dá uma tragada nesse agente funerário, que gera receitas fabulosas, em impostos.

Picada, só de vez em quando e, desde que não corra riscos, especialmente de contrair AIDS, e nem gere dependência do prazer, dos credores ou, até, dos serviços públicos de saúde, nem, sequer se a picada transmitir dengue. A única picada suportável, para ele, é aquela que ele leva lá em Ilhabela, dada por uma “borrachuda”. Isso mesmo, borrachuda! Está bem, eu explico e, concordo com você, em relação a isso. O termo “borrachuda” está incorreto, o certo seria dizer:  borrachudo fêmea.

Não? Não me diga que você pretende que eu diga o nome do “bicho”, da forma como diria o Doutor Paulo Vanzolini, aquele famoso compositor de música popular brasileira.

Isso, o compositor de “Ronda”, “Volta Por Cima” e outras tantas maravilhas do cancioneiro popular brasileiro.

Correto! O homem é um zoólogo. Aquele que entende de, ou estuda os, bichos.

Cacete! Você é um chato, mesmo. É pior que o tal, incômodo, borrachudo, que é um inseto “díptero simuliídeo”. Tá legal assim? Agora, veja se me deixa terminar este assunto, que já está ficando cansativo.

Ele, o Magrão, sequer admite a possibilidade de ser picado por um borrachudo, afinal esse tipinho é macho - essa raça em extinção e, da qual, mesmo assim, ele não suporta contactos mais íntimos.

 

Carlos Gama. "www.suacara.com

13 de maio de 2002 11,01 h

 

 

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