Na Praia

 

 

Nessa manhã eu estava cismado e não quis ir de moto com meu filho, fui de ônibus.

Quando cheguei, ele e o Paulão lá estavam, com a rede armada e, sentados nos banquinhos, riam como dois malucos.

Meu filho está na casa dos trinta e o Paulão, na dos setenta.

Dei um beijo em meu filho e cumprimentei o Paulão, com um bom dia.

-Afinal, o que está havendo que vocês não param mais de rir.

Meu filho aponta o dedo para o nosso amigo e os dois continuam, curvados, de tanto rirem.

Acabo entrando no esquema; afinal, o riso é um bem contagiante.

Depois de algum tempo, já cansados, nós três sossegamos e meu filho, apontando para a bermuda do outro, diz:

-O seu Paulão saiu de casa de pijama.

-Deixem de graça! - Digo-lhes.

-É verdade! Eu fui dormir tarde, depois de assistir a um filme, acordei meio atordoado e, com a preocupação de chegar a tempo, coloquei a joelheira (coisa que faço depois de me trocar), fui ao banheiro e saí. Quando estava quase chegando aqui, foi que percebi que estava com a calça do pijama. Aí eu pensei: já que estou, fico!

Esse, bem que poderia ser o pai do Magrão, mas não é.

Ele é, apenas, o pai da mina do nosso herói.

Os semelhantes se atraem.

Carlos Gama. www.suacara.com

 

23/12/2008 21:05:02


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