No Altar, às Gargalhadas.

 

 

Falando de religião, a família do Magrão é quase toda composta por católicos. Por conta do quase, existem também cristãos de outras correntes, alguns judeus e também muçulmanos; assim é neste maravilhoso e abençoado país, onde todos respeitam as opções religiosas dos seus semelhantes.

Dentre esses familiares, tem o Magrão um primo que é uma figura ímpar, tanto por sua conhecida parcimônia no uso dos bens materiais, quanto por envolver-se em situações cômicas. Esse primo é conhecido pelo apelido de “Tuba”, e os amigos gostam sempre de estar contando uma mesma história a seu respeito, que não se sabe se é verdadeira, ou apenas uma forma de brincar com ele. Diz a tal história que, certa vez ele vai até seu pai pedir dinheiro para ir ao cinema com os amigos:

-Papai, o senhor me empresta (esse termo é mera figura de retórica, pois dizem que o pai não dá nada a ninguém, nem mesmo um aperto de mão) vinte reais para ir ao cinema?

-Bra que déis, Tuba? Leva cinco, dá dois bra Beth e me trais troco, hem! (Beth é a irmã do Tuba).

Mas, voltando à intenção original desta história, que tem a ver com religião, vamos lembrar do casamento do amigo de infância, do qual ele e o Magrão foram padrinhos, e do presente cujo custo foi rateado entre o grupo de jovens amigos. Esse presente, um aparelho de dvd, foi comprado com o dinheiro de dez amigos de infância e até hoje, passados dois anos, o Tuba choraminga assim: minha poupança ainda se ressente daquele desfalque para comprar o dvd do Juca.

No altar, à hora da prece, todos oravam o Pai Nosso, e o Tuba sentiu-se envergonhado por ser o único que não conhecia a oração (fato natural, especialmente para os amigos que sabem que ele não é cristão), por isso, de olhos cerrados, resolveu fazer de conta que orava.

Ia a oração pela metade, quando o Magrão (não poderia ser outro!) percebe o fato e cutuca o primeiro que está a seu lado, no altar:

-Olha o Tuba dublando o Pai Nosso!

Foram tantas as gargalhadas que, por algum tempo a cerimônia ficou interrompida.

 

Carlos Gama. "www.suacara.com

10 de agosto de 2004 – 14:45 h

 

 

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