O Coelhinho e os Ovos

 

O Magrão é, quase sempre, aquele tipo que você já conhece, cheio de gingas, brincadeiras e malandragens, sem maldade. Em resumo: um tipo alegre e feliz.

Poucas são as situações que fazem-no sair do sério mas, assim mesmo, na maioria das vezes, ele quebra o veneno com alguma graça de última hora.

Dentre as situações que provocam o seu mau humor estão as bandalheiras com o dinheiro público, especialmente aquelas praticadas contra os cofres da seguridade social e que acabam servindo como justificativa para o golpe, sempre praticado contra os direitos dos pensionistas, que passaram a vida toda enchendo esses mesmos cofres para que Jorginas, Wilsons e a incompetência administrativa os esvaziem.

O salário mínimo, que serve de base de cálculo para as arrecadações recebe, como em todos os anos precedentes, correção que é, embora insuficiente, bem maior que os índices de correção das pensões dos aposentados. Complemente-se que, ainda são pagas, alguns meses depois, do aumento de arrecadação proveniente da correção do salário mínimo. É só esperar uns dois meses mais, para ver.

Um descalabro!

Foi quando ele estava nesse estado de espírito que soa a campainha da porta da frente.

Sem muita vontade, lá vai ele atender à porta. É o lixeiro, perguntando se tem algum ovinho de Páscoa para os trabalhadores.

-Ô, meu chapa, queria eu ter condições de te atender mas, depois de trinta e sete anos de contribuição, o que me resta é fazer todos os esforços para sobreviver, no maior sufoco.

-Pô, patrão, nem um ovinho que seja?

-Parceiro...trabalhei, por quase quarenta anos e, nunca, ninguém achou que eu merecesse algum ovinho de Páscoa, pelo cumprimento das minhas obrigações.

-Que miséria!

Aí seria a hora de dar a maior bronca no “pidão", mas é nesse momento que o Magrão é genial.

-Meu velho, eu teria a maior boa vontade mas, o coelhinho aqui de casa é estéril; comeram os ovinhos dele, no ano passado.

 

Carlos Gama. "www.suacara.com

 

 

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