O Tempo e a Verdade

 

 

Sempre leva algum tempo mas, a verdade acaba vindo à tona.

As notícias são propositadamente forjadas; transformam-se em possíveis verdades e são, sempre, conduzidas com muita maestria. Porém, o tempo se encarrega de mostrar a verdade e até os asseclas dos “prestidigitadores” acabam por ter que reconhecer as mentiras “passadas”, à luz da verdade e da realidade presentes.

A cidade onde moro, aquela que mora no meu coração, sofreu uma derrocada econômica previsível. Seu povo e seus “representantes políticos” inertes, assistiram, de braços cruzados, o seu desmantelamento. Raras vozes clamaram no deserto da indiferença e foram taxadas de “arautos da desgraça”, loucos e, até, de traidores.

Quando ao poder econômico  interessa, ele usa de todos os meios, para obter o silêncio e a conivência tácita daqueles que temem perder privilégios. Ou, então, quando bem conduzidos, (e foi esse o caso) conseguem jogar a opinião pública contra aqueles a quem querem, por interesses menores, derrubar.

Neste esquema, muitos dos pequenos e médios empresários que atuavam na área de navegação ou de agenciamento marítimo, financiaram a confecção da chamada “Lei dos Portos”. Esperavam eles, com essas medidas, chamadas de modernizadoras, obter maiores vantagens e aumento de lucros;  mas, o que se viu foi o oposto. Financiaram a própria ruína, exceto para dois ou três deles. Para aqueles, cujo vínculo com o plano mais alto ou a representatividade que faziam e fazem de alguns de seus membros,  os manteve neste mercado, que hoje opera a portas fechadas.

A grande farsa apelidada de “Custo Brasil” continua, sem qualquer alteração, afirmam as estatísticas e as notícias sobre as “gritas” constantes de exportadores, a respeito dos custos. O que houve foi, apenas, a transferência das receitas  econômicas, daqui, para o exterior.

 

 

Crônica publicada em: A Verdade de La Botella:

“Na Vazante da Maré”

Julho de 1997.

Como todo o ser vivo, o Porto de Santos também teve o seu nascimento e hoje se assiste aos estertores, precedentes da morte.
Talvez não seja a morte do porto em si. Mas a morte da fonte geradora de recursos que circulavam pela região, sustentando a maior parte de sua economia. Para transformar-se na fonte geradora de lucros que; nas mãos de uma minoria circularão na Suíça, em Caiman e talvez em Miami.


Notícias de “A Tribuna” 15 de junho de 2001.

 

“O presidente da Codesp, Fernando Vianna, realiza um levantamento do total arrecadado pelas armadoras com o THC(Terminal Handling Charge), uma taxa agregada ao frete marítimo que substitui a antiga taxa de capatazia”.

 

“O levantamento vai apurar o impacto financeiro para a economia da cidade, provocado pela transferência dos valores arrecadados pela THC ao exterior., prática adotada pela maioria das armadoras”.

 

 

 

Elucidações:

Taxa de Capatazia = O conjunto de taxas cobradas pela administradora do porto, para a manutenção e fornecimento de todos os serviços operacionais de uma embarcação. Foi com a cobrança desta taxa, que a Companhia Docas de Santos se tornou o grandioso empreendimento que manteve, direta e indiretamente a economia da região, durante quase cem anos. Isso foi feito, através de investimentos na modernização constante do porto e na remuneração digna de seus milhares de empregados.

 

Terminal Handling Charge = Taxa que foi agregada ao frete marítimo, depois do “desmantelamento conduzido” da Cia. Docas. Recursos que, quase totalmente,  são remetidos ao exterior, pois representam lucros quase limpos.

A mão de obra, com seu ganho aviltado pelas imposições da “Lei dos Portos”,  complementada por uma série das imorais Medidas Provisórias em nome da redução do “Custo Brasil”, deixou de ser o sustentáculo econômico  da região.

 

(Custo Brasil: Um custo moral, muito mais que econômico – La Botella).

Carlos Gama.www.suacara.com  

16/6/2001 – 23,05 h