Presença de Espírito

 

Culto, perspicaz, inteligente e espirituoso. É assim que posso descrevê-lo. Ou melhor, dá para acrescentar, ainda, alegre e às vezes muito distraído.

Há muitas histórias interessantes e até engraçadas, que se pode contar a seu respeito.

Certa feita, durante o surto de gripe asiática...

Não sabe o que é? Vá lá! Eu explico e depois continuo com a história.

É sempre o mesmo velho hábito brasileiro de ir logo colocando um apelido em tudo. E as gripes nunca escaparam deste vício. Cada ano, o surto de gripe tem um nome. É gripe isso, é gripe aquilo e, naquele ano, o nome da gripe era: "Asiática".

Foi uma gripe daquelas de derrubar cavalo. Fortíssima!

Bem, voltemos ao nosso amigo.

Ia ele, de ônibus, naquela tarde chuvosa e quente, bem comum aqui em Santos. Não suportava mais o calor e o abafamento ali dentro, com todas as janelas fechadas. Sem um pouco de ar para respirar, resolve abrir uma fresta, na janela à sua frente.

De imediato, o passageiro que estava sentado logo abaixo da janela, fecha-a e o encara, com ar de poucos amigos, dizendo:

- Não vê que está chovendo?

- É, eu sei, mas está muito abafado aqui dentro.

- Ué! Se estiver incomodado, desça do ônibus.

- Eu estou preocupado mas, não é comigo. É que eu estou com a "Asiática" e com tudo isso, fechado, todo o mundo respirando o mesmo ar, vão todos pegar a dita cuja.

Foi um tal de gente esbravejar, resmungar e descer no próximo ponto de parada, que acabou sobrando lugar de monte para ele se sentar.

A gripe? Que gripe coisa nenhuma! Foi a sua forma espirituosa de sair da possível encrenca e ainda arrumar lugar para viajar sentado.

Não preciso dizer que o personagem desta história é o Magrão, ou preciso?

 

Carlos Gama. "www.suacara.com

 

30 de março de 2002 - 18:56 h

 

 

 

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