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Um mestre, nada mais

 

Um pequeno artesão, de fundo de quintal, acabou sendo preso, acusado de estar vilipendiando altas autoridades e até os mais simples cidadãos, faltando-lhes com a consideração e com o respeito merecidos.

Eram seus acusadores, alguns juízes, centenas de políticos e uns poucos milhões de cidadãos de seu país.

Os juízes acusavam-no de chamá-los de venais, por venderem sentenças e outros favorecimentos a amigos e parceiros comerciais.

Os políticos queriam sentenciá-lo, por conta de leviandades a respeito de convocações extras e “ordinárias”, edição e comercialização de normas, “gazeta” à maioria das sessões legislativas, etc e tanto (e põe tanto nisso!).

Os do povo, queriam seu pescoço por conta de falsas informações sobre ausência de cidadania (aí se incluíam os comerciantes que burlavam o fisco; os que não emitiam notas fiscais ou deixavam de dar o troco correto; os que adulteravam mercadorias, seus pesos e quantidades; os que inseriam toda a sorte de informações incorretas, nos produtos fabricados; os  que lesavam os empregados,  por todos os meios possíveis; incluíam-se nesse rol, também os empregados que furtavam os patrões ou faziam corpo mole no serviço; os que atendiam mal aos clientes; do mesmo grupo faziam parte aqueles que pichavam paredes; os que jogavam lixo nas ruas e rodovias; os que invadiam terrenos alheios, fazendo disso uma profissão, em pequena ou larga escala; os que levavam ou deixavam seus animais de estimação soltos para fazerem suas necessidades fisiológicas nos locais públicos).

Em suma, todos aqueles o acusavam, por ofender-lhes o moral.

Na audiência - mesmo patrocinado por um excelente advogado - o artesão esperava pela condenação, porque eram milhões de pessoas contra si.

O defensor pediu ao magistrado, apenas uma coisa: que perguntasse se havia alguém a quem o artesão houvesse feito, diretamente, alguma das afirmações de que o acusavam. Ou se havia alguém a quem ele houvesse se dirigido de forma pessoal.

O dirigente da corte assim agiu, e não encontrou ninguém que pudesse fazer tal afirmação.

Conclui, então, o advogado de defesa: Senhores jurados, meu cliente, além de ser surdo-mudo, nada mais faz da vida, que fabricar carapuças.

Ele é apenas um mestre carapuceiro.

 

Querem saber se foi absolvido?

 

Não sei!

... apesar da fundamentação, quase integralmente real, desta história.

 

Carlos Gama "www.suacara.com"

15 de novembro de 2004 - 14:36 h

 

 

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