Visita ao Asilo

 

A visita ao seu Raimundo foi muito rápida. Conversamos apenas meia hora, pois eu pretendia ir encontrar o Queirolo. Tenho uma encomenda que gostaria de por no ar, hoje.

Mas, às vezes, o "vento noroeste" sopra sem aviso, invade o meu peito e o meu sossego deixando-me cansado. Acabei indo dormir e acordei agora.

Mesmo tendo sido uma visita rápida, tive duas alegrias.

Nos domingos, ultimamente, tenho tido o prazer de encontrar uma pessoa muito simpática e agradável lá pelo asilo. Ele vai visitar o irmão que mora lá. Faz-me uma festa, me abraça, me dá enormes tapas nas costas mas, eu sinto uma positividade tão grande nestes seus gestos, que acabo até gostando.

Umas semanas atrás, conversando, um pouco mais longamente com ele, descobri que é espírita (essas afinidades espontâneas são admiráveis!); não é praticante, mas um crente na sobrevivência e no caminhar evolutivo do espírito.

Ele faz questão de dizer que gosta muito de conversar comigo e aprender(veja se pode!).

Hoje, logo que cheguei, ele veio fazer uma festa enorme e enquanto eu conversava com seu Raimundo, ficou ali, em pé, com a mão no meu ombro.

-Qual é o nome de senhor.

-Nada de senhor, Carlos! Afinal, não existe tanta diferença de idade entre nós. Você está com sessenta e...? (Eu não acho que esteja tão acabado mas, a maioria das pessoas me vê com bem mais idade do que tenho).Fiquei tão sem graça, que menti aumentando uns aninhos.

-Ah, você é um menino, ainda! Eu tenho setenta e cinco.

-Seu Antonio, não parece, de maneira nenhuma. Qual o segredo?

-Trabalho! Continuo trabalhando e isso me faz muito bem. Sou vendedor e esse "bater pernas" e a convivência com as pessoas me rejuvenesce. Bem...Eu vou indo embora que quero ver o jogo.

Falamos, um pouquinho, sobre futebol. e ele vai se despedindo e me diz que eu levo para lá muita alegria. (Eu me sinto tão triste, por dentro. É meu estado natural).

-Que é isso, seu Antonio!

-É verdade! A alegria caminha ao seu lado.

Bem...ele se foi e ficamos nós, seu Raimundo e eu, nos nossos papos solitários (?).

Transmiti, logo em princípio, os abraços que as minhas amigas enviam a ele, todos os domingos(mas eu as recomendo, também, nas visitas de quartas-feiras!).  E foi a razão de minha outra alegria; vê-lo sorrir e agradecer. Depois, gargalhar gostoso, quando lhe contei dos ciúmes de uma delas, por sinal, a mais antiga. Aquela que o conhece, admira e ama há mais tempo; mesmo de longe.

-Imagine, seu Raimundo, que..., sua amiga mais antiga mandou-lhe um abraço; se houvesse espaço, uma vez que agora são muitas a lhe abraçar. Pode?

Ele gargalhava com satisfação!

-Pode isso, meu amigo? – pergunto-lhe.

 

Carlos Gama. www.suacara.com

29/4/2001 – 20,35 h